Em 2016, tive meu primeiro contato com UX Design através do evento UX Now.
Na época, eu ainda não entendia o impacto que aquela área teria na minha vida. Enxergava design apenas como algo visual — criar um site bonito parecia suficiente.
Anos depois, perceberia que UX Design vai muito além da aparência. E hoje posso dizer com clareza: o UX design mudou minha vida de formas que eu nunca teria imaginado naquele evento.
Quando os Projetos Começaram a Dar Errado
Em 2023, comecei a trabalhar em um projeto de loja virtual que rapidamente se transformou em um dos maiores desafios da minha carreira.
Naquele momento, eu ainda não tinha repertório sólido em experiência do usuário, arquitetura da informação ou processos de validação. Eu sabia desenvolver sites, criar layouts e resolver problemas técnicos. Mas havia um problema invisível que nenhuma habilidade técnica resolvia:
Eu não sabia justificar minhas decisões.
O projeto entrou em um ciclo infinito de alterações. O cliente queria mudar elementos constantemente — mais textos, mais informações, mais botões, mais opções. E como eu ainda trabalhava muito no achismo, sem critérios claros, não conseguia defender tecnicamente o que realmente funcionava.
Isso gerava insegurança para mim e para o cliente ao mesmo tempo. Quanto mais o projeto avançava, mais ansiedade eu sentia. Foi nesse momento que comecei a perceber que o problema não era apenas técnico. Existia algo muito maior faltando no meu processo.
O Momento em Que Precisei Escolher
Chegou um ponto em que eu precisava tomar uma decisão:
Ou eu abandonava o projeto, ou encarava de frente tudo o que havia evitado estudar por anos.
Foi nesse período que mergulhei profundamente em PHP, JavaScript, banco de dados, organização de projetos, documentação, experiência do usuário e psicologia aplicada ao design.
E foi exatamente aí que o UX Design entrou de verdade na minha vida.
Como o UX Design Transformou Minha Carreira
Estudando UX, comecei a entender algo que mudou completamente minha forma de trabalhar:
Projetos não quebram apenas por falta de habilidade técnica. Muitos quebram por falta de clareza, processo e estrutura.
Antes disso, eu já tinha alguns hábitos que achava excessivos: documentava processos, criava anotações, organizava pastas, escrevia avisos técnicos, comentava códigos. Mas sempre me perguntava se isso não era exagero.
O UX Design me mostrou que não era.
Documentação não é frescura. Processo não é perda de tempo. Organização não é obsessão. Tudo isso faz parte da experiência — inclusive da experiência de quem desenvolve, mantém ou evolui um projeto no futuro.
A partir daí, desenvolvi processos muito mais sólidos. Hoje, quando tomo uma decisão de design, ela não vem de gosto pessoal. Ela vem de contexto, comportamento do usuário, boas práticas, usabilidade, clareza e intenção.
Isso mudou completamente a forma como conduzo reuniões, como justifico decisões estratégicas e como antecipo erros antes que eles aconteçam. E mudou, também, a forma como os clientes enxergam meu trabalho.
O Lado Pessoal: Quando o UX Design Mudou Minha Visão de Mundo
Existe uma parte dessa história que vai muito além do trabalho.
Desde criança, fui extremamente observador. Analisava objetos, interfaces, jogos, menus, ferramentas e sistemas tentando entender como tudo funcionava. Mas durante muito tempo, achei que o problema estava em mim.
Quando não conseguia usar algo direito, minha primeira reação era pensar: “Talvez eu seja incapaz. Talvez eu não tenha entendido. Talvez eu seja ruim nisso.”
Estudando UX Design, comecei a perceber algo que parece óbvio agora, mas que naquela época foi transformador:
Muitos sistemas são simplesmente mal projetados.
Aprendi conceitos como fricção, carga cognitiva, affordance, feedback visual e arquitetura da informação. E aos poucos entendi que nem toda dificuldade é culpa do usuário — às vezes, o problema está no sistema.
Esse entendimento teve um impacto enorme na minha saúde mental. Comecei a parar de me culpar por problemas que muitas vezes eram causados por experiências mal construídas. Percebi que muitas das minhas frustrações não vinham de incapacidade, mas da ausência de clareza, estrutura e direção.
O Que Mudou Depois Disso
Hoje, enxergo projetos de forma completamente diferente.
Não penso apenas em estética. Penso em intenção, comportamento, clareza, processo, previsibilidade e escalabilidade. Antes, eu criava interfaces tentando adivinhar o que funcionaria. Hoje, consigo construir decisões com muito mais critério.
E isso trouxe algo que nunca tive antes: confiança.
Não uma confiança baseada em ego. Uma confiança baseada em repertório, estrutura e lógica.
Talvez o Problema Não Seja Sua Capacidade
Se você trabalha com sites, design, marketing ou tecnologia e sente que tudo parece caótico, talvez o problema não seja falta de capacidade.
Talvez esteja faltando processo. Talvez esteja faltando clareza. Talvez esteja faltando estrutura.
Foi exatamente isso que aconteceu comigo.
E foi exatamente por isso que, sem exagero, posso dizer hoje: o UX design mudou minha vida.